A Festa do Tapa Casa

A festa do tapa casa

Cassinum-Embiara-3922

O Recôncavo sempre nos reserva belas surpresas e essa festa não foi diferente. Um domingo, um simples domingo foi capaz de me proporcionar uma linda e inédita experiência.

Fomos convidadas para a festa do tapa casa no quilombo da Embiara, como sei da tradição da região onde as pessoas mais pobres rebocam a casa como o próprio massapé das imediações da casa, achei que podia realmente ser uma experiência impar. Por falar e tradição, também é costume que essa festa, na verdade um mutirão, mais na verdade ainda uma adjutora, por eles chamado de dijutoro, reúna amigos e vizinhos para em um dia tapar um bar, o Bar da Sofrência.

Chegando lá, e se tem por obrigação chegar cedo, encontramos uns 20 homens já no processo de preparar o massapé para começar o trabalho de levante das paredes. Como um pequeno exército, que logo se multiplicaria, cada um assume uma função, tem os que cavam a terra do chão, os que pegam água para amolecer a terra e os que amassam a terra com os pés. Uma cena como poucas.

Os corpos que chegam cobertos por roupas de trabalho aos poucos vão sendo revelados, numa seminudez incrivelmente poética. Ao som do Arrocha, misturado com gargalhadas e palavras que dão cadência ao trabalho as paredes vão subindo.

A medida que o sol vai esquentando um incrível contraluz vai se desenhando. As mãos numa bela sincronia quase se tocam na hora do sopapo. Os músculos, agora já mais definidos pelo esforço contínuo, reluzem ao brilho do suor que escorre das peles queimadas qual cerâmica numa olaria.

A cachaça chega para animar a festa, o som aumenta, as rizadas se misturam. Não fosse a harmonia dos detalhes com o todo diríamos estar diante da maior microfonia. Causos e brincadeiras se sucedem, “sua irmã” é uma figura sempre presente, seu corno também.

Mãos na enxada, cava e crava, joga água, pisa pé. Lá vai a parede subindo. Mãos no barro, amassa a massa, pau-a-pique tapa casa. E o sorriso do seu Fulano não para de crescer. O sol tá quente, soca sopapo, chega gente tapa taipa. Mãos inchadas, sol na cara, casa cresce. Ufa! Meio-dia fim da jornada, toma gelada e galinha refogada e bola na caçapa.

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